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Aposentadoria aos 67 anos é a nova realidade

6, agosto, 2012 Apst. do inss

Valor Econômico – 06/08/2012

Cresce a pressão pelo aumento da idade efetiva de aposentadoria para 67 anos, ou mais, nos países desenvolvidos em crise. As reformas têm por objetivo reduzir as pensões em 20% a 25% para as futuras gerações de aposentadosA pressão pelo aumento da idade efetiva de aposentadoria para 67 anos, ou mais, está crescendo em países desenvolvidos em crise, ao mesmo tempo em que as reformas vão conduzir a pensões pelo menos 20-25% mais baixas para as futuras gerações de aposentados.

O governo espanhol prometeu na sexta-feira à União Europeia (UE) “dificultar” as aposentadorias antes dos 67 anos de idade, como uma das medidas para garantir o corte de € 102 bilhões até o final do ano nas contas públicas. O governo de Mariano Rajoy acenou elevar a “idade efetiva” da aposentadoria, ou seja, a idade média em que o trabalhador se aposenta definitivamente do mercado de trabalho, segundo o jornal “El País”.

Uma profunda reforma elevou a idade de aposentadoria de 65 para 67 anos durante o governo anterior, do socialista Jose Luis Rodrigues Zapatero. Na prática, muita gente pode partir mais cedo, na média aos 63,5 anos, o que já é uma das mais altas na Europa. O gasto com aposentadoria é o principal item do orçamento espanhol, sendo de € 120 bilhões este ano, cerca de 25% do total e 10% do PIB.

No Japão, parlamentares aprovaram também na semana passada uma lei que eleva a idade de aposentadoria obrigatória dos 60 para 65 anos, na tentativa de reduzir os custos de uma sociedade formada cada vez mais por idosos.

A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) confirma que a maioria dos países desenvolvidos começou a elevar a idade de aposentadoria ou planeja fazer isso em breve: 65 anos é o limite para as pessoas receberem pensão completa.

No entanto, a idade de 67 anos, ou mais, está se tornando o novo 65, segundo a OCDE. E muita gente acha pouco. Para o premiê da Suécia, o conservador Fredrik Reinfeldt, os suecos deverão em algum momento prolongar sua carreira até a idade de 75 anos, contra 65 hoje, se quiserem conservar as mesmas condições de vida.

A União Europeia não tem competência legal para tratar de idade de aposentadoria no bloco. Mas recentemente tentou dar um impulso a um quadro comum, sem que o debate tenha avançado.

A Itália vinculou a idade de aposentadoria à expectativa de vida a partir de 2013. Dinamarca fará o mesmo a partir de 2020, para que a idade mínima exigida seja de 69 anos. A esperança de vida varia muito na UE. A mais forte é na França para as mulheres, 85 anos. Para os homens, é de 78 na França, 78,6 na Espanha e 79,1 na Itália.

Vários países na Europa começam a implementar reformas da aposentadoria a partir de 2013. É o caso da Alemanha, que tambem passará para 67 anos, algo essencial, conforme o governo, porque mais e mais idosos se beneficiam das prestações sociais e menos e menos jovens trabalham para financiar o sistema.

A chanceler Angela Merkel fustigou várias vezes países da periferia europeia em crise – como Grécia, Espanha e Portugal – para não se aposentarem antes da Alemanha e não terem dias de folga a mais.

Para a OCDE, a queda nas pensões das futuras gerações de aposentados exigirá que o “gap” seja coberto por aposentadoria mais tarde e extensão da cobertura dos fundos de pensão privados.

Por sua vez, a Confederação dos Sindicatos Europeus considera que as pressões sobre aposentadorias se juntam a degradação geral no mercado de trabalho, provocada pela crise e por planos de austeridade.

 

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